Thursday, February 22, 2007

Prefeitura de Itabirito dá resposta sobre poluição do Rio Itabirito

Em resposta à poluição ambiental provocada pela Cia. Itabirito Industrial – Fiação e Tecelagem de Algodão, a Secretaria Municipal de Meio Ambiente da Prefeitura de Itabirito informa que o problema de mau cheiro exalado pela E.T.E. - Estação de Tratamento de Efluentes - e descarte do material no Córrego Criminoso, afluente do Rio Itabirito, acontecem há muitos anos.  

“Gostaríamos de ressaltar que desde que aqui chegamos, ou seja, janeiro de 2005, a Secretaria de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável procurou a FEAM para resolver estes problemas, onde a partir daí o processo teve andamento e foram feitas diversas reuniões entre a comunidade, a Empresa, a Secretaria Municipal de Meio Ambiente e a FEAM – Fundação Estadual de Meio Ambiente, órgão licenciador a nível Estadual, pois a empresa em questão é licenciada pelo Estado”, explica Elizabeth Almeida, Secretária Municipal de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável.  

Ela explica que, na última reunião, em dezembro de 2005, foi elaborado o Parecer Técnico DIINQ N.º 46/2006, referente ao processo e Licença de Operação, que sugeria o indeferimento da licença, bem como a suspensão das atividades da Empresa até a regularização de todos os problemas ambientais. Entretanto, no julgamento deste processo que ocorreu em 11/07/2006, o COPAM – Conselho Estadual de Política Ambiental, apenas indeferiu a licença de operação, concedendo à empresa prazo para novo processo de licenciamento e assinatura de TAC – Termo de Ajustamento de Conduta. 

No dia 19 de dezembro de 2006, foi discutido pelo Codema - Conselho Municipal de Desenvolvimento Ambiental - o pedido de liberação da declaração de conformidades com as leis e regulamentos administrativos para o licenciamento ambiental junto à FEAM. Ficou definido no Codema que a Secretaria de Meio Ambiente fará um TAC com a Fábrica de tecidos dando um prazo de 90 dias para a regularização dos problemas ambientais, este TAC deverá ser homologado pelo Ministério Público, que retornou seus trabalhos na última semana, 9 de janeiro.

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População denuncia poluição causada por fábrica de tecidos

Segundo cidadãos itabiritenses, as indústrias têxteis da cidade apresentam E.T.E. - Estação de Tratamento de Efluentes - obsoleta ou inexistente, despejando resíduos de tinturaria química, com alta concentração de cádmio, ácidos e soda cáustica, nos afluentes do Rio Itabirito.  

A Companhia Itabirito Industrial - Fiação e Tecelagem de Algodão, primeira indústria têxtil do Brasil a ter uma estação de tratamento de efluentes industriais, já passou por diversas modificações para que possa atender a todos os padrões ambientais sem a ocorrência de odores. Em 2006, modificaram a E.T.E., colocando aeradores submersos, de maior capacidade e eficiência do que os aeradores de superfície que eram utilizados. 

A pedido da secretária de meio ambiente de Itabirito, foi contratada uma empresa especializada, indicada por ela, para que fosse feito um diagnóstico de todo o dimensionamento e operação da estação de tratamento de efluentes. O diagnóstico foi feito, e foi concluído que o dimensionamento da estação da Cia. Itabirito Industrial estava perfeito, mas havia detalhes operacionais que poderiam ser melhorados. 

Segundo a Cia. Itabirito Industrial, todo o efluente lançado no rio é tratado e atende aos padrões ambientais. “Vale ressaltar que não existe padrão ambiental para a cor do efluente, e a F.E.A.M. - Fundação Estadual do Meio Ambiente - não exige remoção de cor do efluente, que tem coloração transparente ligeiramente escura”, comenta a diretoria da Cia. Itabirito Industrial. “Ë enviado mensalmente à F.E.A.M., que fiscaliza regularmente esta empresa, relatório de monitoramento contendo todos os parâmetros da estação. Acreditamos ter hoje, uma estação capaz de atender a todos os parâmetros ambientais sem a geração de odores, e não poupamos esforços para tal realização”, finaliza. 

Outro fator preponderante concernente à poluição do Rio Itabirito é o esgoto de Itabirito, que atualmente é lançado no rio. O lançamento de esgoto residencial não tratado em quantidade muito alta faz com que o corpo de água não absorva naturalmente esses. Os materiais orgânicos presentes no esgoto, excrementos, por exemplo, nutrem as bactérias aeróbias decompositoras. Por serem aeróbias, consomem o oxigênio diluído na água, podendo matar por asfixia a fauna ali existente. Como as bactérias aeróbias continuam a se multiplicar, e se a poluição continua elevada, a certa altura elas próprias morrem asfixiadas por esgotamento do oxigênio dissolvido na água, sendo substituídas então por um novo tipo de bactérias: as bactérias anaeróbicas, que não necessitam de oxigênio e de cujo metabolismo saem substâncias que exalam muito mau cheiro, como o gás sulfídrico, que um odor típico de ovos podres, insuportável em certos rios, como no rio Tietê na cidade de São Paulo.  

A solução que deve ser tomada, a fim de evitar esses transtornos, é tratar o esgoto produzido antes de lançá-lo no rio, diminuindo, assim, as matérias orgânicas, as substâncias tóxicas e os agentes patogênicos. O objetivo do SAAE - Serviço Autônomo de Água e Esgoto – entidade responsável pela capitação, tratamento e distribuição de água potável na cidade, assim como a coleta e destinação de esgoto, é criar a E.T.E. - Estação de Tratamento de Esgoto - e encaminhar o esgoto até ela. O planejamento de um sistema desses tem dois objetivos fundamentais: a saúde pública e a preservação ambiental.

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