População denuncia poluição causada por fábrica de tecidos
Segundo cidadãos itabiritenses, as indústrias têxteis da cidade apresentam E.T.E. - Estação de Tratamento de Efluentes - obsoleta ou inexistente, despejando resíduos de tinturaria química, com alta concentração de cádmio, ácidos e soda cáustica, nos afluentes do Rio Itabirito.
A Companhia Itabirito Industrial - Fiação e Tecelagem de Algodão, primeira indústria têxtil do Brasil a ter uma estação de tratamento de efluentes industriais, já passou por diversas modificações para que possa atender a todos os padrões ambientais sem a ocorrência de odores. Em 2006, modificaram a E.T.E., colocando aeradores submersos, de maior capacidade e eficiência do que os aeradores de superfície que eram utilizados.
A pedido da secretária de meio ambiente de Itabirito, foi contratada uma empresa especializada, indicada por ela, para que fosse feito um diagnóstico de todo o dimensionamento e operação da estação de tratamento de efluentes. O diagnóstico foi feito, e foi concluído que o dimensionamento da estação da Cia. Itabirito Industrial estava perfeito, mas havia detalhes operacionais que poderiam ser melhorados.
Segundo a Cia. Itabirito Industrial, todo o efluente lançado no rio é tratado e atende aos padrões ambientais. “Vale ressaltar que não existe padrão ambiental para a cor do efluente, e a F.E.A.M. - Fundação Estadual do Meio Ambiente - não exige remoção de cor do efluente, que tem coloração transparente ligeiramente escura”, comenta a diretoria da Cia. Itabirito Industrial. “Ë enviado mensalmente à F.E.A.M., que fiscaliza regularmente esta empresa, relatório de monitoramento contendo todos os parâmetros da estação. Acreditamos ter hoje, uma estação capaz de atender a todos os parâmetros ambientais sem a geração de odores, e não poupamos esforços para tal realização”, finaliza.
Outro fator preponderante concernente à poluição do Rio Itabirito é o esgoto de Itabirito, que atualmente é lançado no rio. O lançamento de esgoto residencial não tratado em quantidade muito alta faz com que o corpo de água não absorva naturalmente esses. Os materiais orgânicos presentes no esgoto, excrementos, por exemplo, nutrem as bactérias aeróbias decompositoras. Por serem aeróbias, consomem o oxigênio diluído na água, podendo matar por asfixia a fauna ali existente. Como as bactérias aeróbias continuam a se multiplicar, e se a poluição continua elevada, a certa altura elas próprias morrem asfixiadas por esgotamento do oxigênio dissolvido na água, sendo substituídas então por um novo tipo de bactérias: as bactérias anaeróbicas, que não necessitam de oxigênio e de cujo metabolismo saem substâncias que exalam muito mau cheiro, como o gás sulfídrico, que um odor típico de ovos podres, insuportável em certos rios, como no rio Tietê na cidade de São Paulo.
A solução que deve ser tomada, a fim de evitar esses transtornos, é tratar o esgoto produzido antes de lançá-lo no rio, diminuindo, assim, as matérias orgânicas, as substâncias tóxicas e os agentes patogênicos. O objetivo do SAAE - Serviço Autônomo de Água e Esgoto – entidade responsável pela capitação, tratamento e distribuição de água potável na cidade, assim como a coleta e destinação de esgoto, é criar a E.T.E. - Estação de Tratamento de Esgoto - e encaminhar o esgoto até ela. O planejamento de um sistema desses tem dois objetivos fundamentais: a saúde pública e a preservação ambiental.